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Por Dulce Mourato

Assinalando o dia 25 de Novembro como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) vai promover e associar-se a diversas iniciativas, com o objectivo de sensibilizar pessoas de todas as idades.

Os números da APAV, presentes no relatório dos anos de 2013 a 2015, divulgado hoje, são bem reveladores: 22.387 processos de apoio a vítimas de violência doméstica, que resultaram em 54.031 factos criminosos.
Ainda tentando perceber o flagelo de Portugal neste domínio, a APAV aponta que o total das vítimas apoiadas, 19.132 (85,46 por cento) eram mulheres e 3.141 (14,03 por cento) homens, particularizando que, em 2013, foram ajudadas 7.271 vítimas, em 2014, 7.238, e em 2015, 7.878 pessoas.

De destacar ainda no relatório, que a maior parte das mulheres que pediu ajuda tinha entre 26 e 55 anos (39 por cento dos dados estatísticos revelados), um perfil que se alterou nos últimos 20 anos. Relativamente ao perfil do agressor, também é um homem mais jovem, entre os 26 e os 55 anos, empregado, “em que as questões do álcool ou qualquer outro tipo de adição não se colocam como fator associado à violência”, esclarece o relatório.

Em termos da relação, na maior parte dos casos (34,4 por cento) o autor de crime é o cônjuge, em 15,3 por cento o companheiro/a, em 13,1 por cento o filho/a, em 8,8 por cento o ex-companheiro e em 8,2 por cento, o progenitor ou a mãe.

Os lugares onde ocorrem os crimes são na grande maioria na casa comum (66,6 por cento), mas também a residência da vítima (12,7 por cento) e os lugares públicos (8,8 por cento).

A APAV destaca que as queixas registadas ficam-se nos 38,9 por cento face ao total dos autores dos crimes (22.925).

Mas o problema dos números escondidos, ainda subsiste: não aparecem nas estatísticas, mas sublinham a importância das ações em defesa da vítima de violência, assim como as campanhas de sensibilização e todas as outras iniciativas prosseguidas pelas organizações, autoridades e associações como a APAV, ainda têm um longo caminho para percorrer.

Nesse sentido surgiu o Manifesto – Para um Plano dos Direitos das Vítimas de Crime em Portugal entregue na Assembleia da República, que aguarda a participação de mais pessoas e a resposta dos partidos com assento parlamentar. Amanhã, a partir das 18 horas do dia 25 de novembro de 2016, na Praça do Comércio em Lisboa, está marcado o inicio da marcha contra a violência, celebrando o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Também a Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro (UTAD) se quis unir às iniciativas e o departamento de Psicologia lançou hoje em Portugal, o “Violentómetro” (uma régua desenvolvida no México e vulgarizada nos países de língua espanhola que descreve 30 comportamentos uns pouco e outros mais violentos, que surgem muitas vezes no namoro ou no casamento). O “Violentómetro” que foi distribuído por mil alunos numa primeira fase, inicia-se nos comentários menos graves (piadas agressivas, chantagens ou mentiras) e termina na violação, agressões graves e/ou tentativa de homicídio. Pode ser impresso e aplicado nas escolas com o adequado acompanhamento dos educadores, professores e especialistas em sexualidade.

Pode também assistir às atividades propostas pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR): a   estreia em Portugal do filme Miss Violence a 24 de Novembro; a Conferência Internacional “Políticas e Práticas na Intervenção em Violência de Género” a realizar no Fórum Lisboa nos dias 24 e 25 de Novembro, entre outras iniciativas presentes no site.

Também o site das Capazes não esqueceu o dia 25 de novembro de 2016 e reforça com entrevistas a sua forma de intervenção. A Rádio Comercial lançou a nova campanha de sensibilização para a Não Violência com o apoio da APAV, uma demonstração da força das redes sociais que servem para a divulgação da mensagem  #ésinaldeviolência.

Já agora divulgue também a aplicação para dispositivos móveis de apoio à vítima, disponível em Portugal, que pode descarregar sem qualquer custo e pode usar a todo o momento.